Acordo no meio da noite, lentamente abre meus olhos e fito o teto,
pensamentos conturbado vindos do cotidiano me assolam, o que fazer,
para onde foi ele o sono, levanto, uma folha em brando, um lápis, a
inspiração onde está?
Eu e o lápis iniciamos nosso trabalho, neste momento ele vem, vem
como sempre vem, sem avisar, apenas vem, como sempre devagar me
toma, como toma você, como toma ele, eles, elas, a todos, meus
olhas vão lentamente se fechando, justo agora, agora que escrever
ia, ele o sono me vem, chega e me leva ao mundo dos que acordados
não estão.
Neste momento do lápis dois pequenos braços brotam, e esses dois
pequenos membros começam seu esforço para de meus dedos se
libertar, primeiro um braço, depois o outro, suas pequenas mãos se
apoiam em meus dedos e empurram seu esguio corpo de lápis para
cima, um, dois, de novo, de novo, força, força, força que forma
toma até que se faz livre. Da folha dois olhos brotam, uma boca,
quem diria o lápis olhos e boca também têm, e os dois iniciam algo
sul real.
“- Ele dormiu.”
“- Sim, dormiu.”
Ambos piscam e seu trabalha inicio tem, a folha sobre a mesa, o
lápis sobre a folha, escrevem, contam uma história de uma terra
distante, mágica, falam do amor, das pessoas, da brisa soprando que
leva os sonhos a experiências extraordinárias, levam suas
personagens aos labirintos da vida...
Acordo com um leve incomodo no pescoço, abro meus olhos e fito a
folha sobre a mesa, o lápis sobre a folha, imóvel como um lápis
deve ser, pego a folha que preenchida está, leio, releio, gosto do
que vejo, apesar de não me lembrar de ter escrito nada, talvez a
sonolência inspiração me deu. Deixo a folha e lápis sobre a mesa e
me dirijo para a cama, para meu sono terminar.